:::Página Inicial :::Quem Somos :::Acadêmicos :::Notícias da Academia :::Fale Conosco :::Links úteis
 
..::Crônicas::..

O DIA DO PROFESSOR

Ninguém é professor por acaso. Não acredito que o destino é que predetermina o ser professor. Nem acredito que Deus é que determina alguém a ser professor, pois Jesus não impôs, não obrigou os apóstolos a segui-Lo como discípulos. Parto do princípio do livre arbítrio, portanto não concebo a ideia de ser professor por conveniência. Ser professor de verdade requer uma mudança de postura, uma vez que se ensina mais pelas atitudes do que pelo que se professa.
A cada dia me convenço de que para ser professor é preciso amar o que se faz, pois sem amor não há humildade para servir. Não combina com vaidade, com arrogância, o ato de educar. Saber que nada sabe, como dizem os grandes filósofos, consiste em reconhecer que a vida é um processo de aprendizagem. Pelo volume de informação que jorram das ações humanas, além da imensidão do universo inexplorado, o conhecimento que se armazena em um cérebro fica em uma condição microscópica, ínfima. Não há professor que saiba tudo.
E como é bom ter essa certeza de que não se tem o domínio de todo o saber. Nenhum ser humano é onisciente, por isso é preciso continuar nos livros, nas bibliotecas, nas salas de aula, nas comunidades, na troca de experiência, no respeito ao aprendizado do outro. É preciso ter sempre em mente o que disse Blaise Pascal: "ninguém é tão ignorante que não tenha algo a ensinar. Ninguém é tão sábio que não tenha algo a aprender".
Do que aprendi, o que mais me traz satisfação consiste no pedir perdão. Reconhecer os meus erros tem sido um dos meus melhores exercícios. Dobrar o joelho e manter a cabeça erguida é preciso...
Para mim, a mais dura lição tem sido aprender a perdoar. Estou penando nesse exercício. Reconheço essa minha falha. Mas estou tendo aula com grandes professores nesse ofício, o Padre Quina e a Pastoral de Rua. Não é à toa que o dia do professor é 15 de outubro, dia consagrado a Santa Teresa D' Ávila, dedicada à leitura, à educação, considerada Doutora pela Igreja Católica, além de ser um grande exemplo de humildade e dedicação aos ensinamos de Quem mais perdoou...
Nesse dia, Dom Pedro I, Imperador do Brasil, em 1827, por Decreto Imperial, criou o Ensino Elementar no Brasil: "que todas as cidades, vilas e lugarejos tivessem suas escolas de primeiras letras". Desse decreto, alguns artigos merecem destaque hoje:
"Art. 13- As Mestras vencerão os mesmos ordenados e gratificações concedidas aos Mestres."
"Art. 3º- Os Presidentes, e Conselhos, taxarão interinamente os ordenados dos professores, regulando-os de 200$000 a 500$000 anuais, com atenção às circunstâncias da população e carestia dos lugares, e o farão presente a Assembléia Geral para a aprovação".
"Art.10- Os Presidentes, e Conselhos, ficam autorizados a conceder uma gratificação anual que não exceda à terça parte do ordenado, àqueles professores, que por mais de doze anos de exercício não interrompido se tiverem distinguido por sua prudência, desvelos, grande número e aproveitamento de discípulos".
Já no período Republicano, em 14 de outubro de 1963, o ex-presidente João Goulart, decretou feriado escolar no dia 15 de outubro:
"Art.3º - Para comemorar condignamente o dia do professor, aos estabelecimentos de ensino farão promover solenidades, em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna, fazendo participar os alunos e as famílias."
Como se vê, oficialmente o 15 de outubro foi instituído o dia do professor. Mas o dia, a hora, em que um educador se sente prestigiado, só ele sabe. O reconhecimento do seu trabalho por um ex-aluno, anos depois do convívio em sala de aula; o sorriso de uma criança ao descobrir as primeiras letras; uma palavra sua que abriu uma porta, ou que acendeu uma luz no interior de aluno, estão além de um contracheque.
Quando um agradecimento, um reconhecimento surge assim de forma espontânea, inesperada, transformam qualquer dia enfadonho em um conto de fada. E aqui finalizo com as palavras de um grande mestre que muito admiro, o professor Fernando Magno:
"O sonho, sabemos todos, é a fonte de muitas criações. Venham eles dos subterrâneos do sono, ou das articulações da vigília. O que faz que uma obra não se concretize não é ter nascido de um sonho, é a indolência do sonhador. Ao sonho, há que se lhe der braços e pernas e uma vontade férrea, como no giro do sol, incansavelmente, fere o ferreiro a forja."

Ataualpa A.P. Filho

© Academia Petropolitana de Educação - Todos os direitos reservados
Desenvolvido por: Versatyl TI